Trata-se de unidade de conservação cujo objetivo é a proteção e preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação, recreação e ecoturismo.
O Parque Estadual de Vassununga localiza-se no município paulista de Santa Rita do Passa Quatro e possui 1.732,14 hectares, divididos em seis glebas independentes: uma de cerrado, denominada Pé de Gigante, com 900 hectares, e outras cinco cobertas por vegetação típica da Mata Atlântica, denominadas Capão da Várzea, com 14,035 hectares; Capetinga Oeste, com 339,81 hectares; Praxedes, com 157,22 hectares; Maravilha, com 130,075 hectares, e Capetinga Leste, com 191 hectares.
Na gleba Pé de Gigante, única com vegetação de cerrado, há desde campo até cerradão, além de uma pequena área de floresta estacional semidecidual. As outras glebas são ocupadas apenas por floresta estacional semidecidual. O Parque é um dos últimos remanescentes do meio ambiente de Mata Atlântica interior na região.
O parque abriga grande diversidade de espécies da flora e fauna silvestres. Dentre os mamíferos são mencionados lobo-guará, onça-parda, gato-do-mato, cotia, paca, irara, mão-pelada, cachorro-vinagre, capivara, veado-campeiro, caxingueles e macaco-prego. No tocante à avifauna é evidente que a tabela ao lado ainda não retrata a riqueza da área. Várias outras espécies podem ser vistas na lista elaborada por Vinicius Pontello e Letícia Pezetta (http://www.taxeus.com.br/lista/952 ) e no blog de Natália Allenspach (http://apassarinhologa.com.br/passarinhando-parque-estadual-vassununga/ ).
As estrelas do parque são os mais de trezentos exemplares de jequitibás-rosa, árvores centenárias e imensas que se destacam na paisagem. O maior deles, conhecido como Patriarca, possui mais de 40 metros de altura, base do tronco com 3,6 metros de diâmetro e copa com 11,5 metros de circunferência.
Assim como outras Unidades de Conservação do interior Paulista, o Parque Estadual Vassununga enfrenta grandes problemas.
As professoras Fernanda Padovesi e Eliane Kuvasney, do Departamento de Geografia da USP, relatam em Trabalho de Campo que as glebas do Parque Estadual Vassununga “são pequenos fragmentos de vegetação natural circundados por uma matriz de cultura de cana de açúcar, citros e silvicultura de eucaliptos. Outros remanescentes de vegetação natural que são observáveis na área estão situados em zonas de alta declividade ou nas margens dos rios, na sua quase totalidade em estágio avançado de degradação devido principalmente aos efeitos da fragmentação”. Essa fragmentação faz com que todas as glebas permaneçam permanentemente ameaçadas não só por fatores naturais, mas principalmente pela atividade agrícola e pastoril em seu entorno.
O trabalho das professoras inclui também o parecer do engenheiro florestal Everton José Ribeiro, gestor daquela unidade de conservação. Diz ele que “se não houver o manejo do Parque, as glebas que o compõem vão continuar se degradando, seja pelo efeito de borda, seja pelo isolamento e pela falta de conectividade entre as glebas, seja pela invasão de espécies exóticas, dentre outros fatores. O diretor do Parque indica como prioritárias a realização de pesquisas nas áreas de capacidade suporte à visitação, do estudo sobre os efeitos de borda nos fragmentos, do manejo dos cipós e proteção das bordas, do desenvolvimento de técnicas de revegetação, de conservação dos recursos hídricos, da fauna e, especificamente, dos jequitibás. As questões que o manejo deve responder e que suas ações deveriam suprir são: como glebas separadas entre si podem manter suas funções de conservação da diversidade biológica? Quais são as ações necessárias para a manutenção do status das glebas que compõem o Parque? Como conseguir a cooperação dos proprietários rurais dos entornos das glebas para que exerçam suas atividades minimizando os impactos sobre os fragmentos florestais?”
O fácil acesso ao parque também o coloca em risco, pois a fragmentação de sua área dificulta o controle e a fiscalização. Note-se que a UC está localizado às margens da Rodovia Anhanguera e que todas as glebas possuem acesso fácil, seja pela própria rodovia, seja pelas estradas vicinais existentes na área. Além disso, existem diversas estradas de terra em boas condições de tráfego, nas quais trafegam, sem problemas, carros de passeio, caminhões e ônibus.
Para quem quiser saber mais sobre esse tema, recomenda-se a leitura do texto de Vânia Korman indicado na campo “Referências”.
Segundo a Fundação Florestal “As glebas do Parque pertenciam a antiga Usina Açucareira Vassununga. A necessidade de se preservar as maiores e mais belas florestas de jequitibás-rosa (Cariniana legalis) e os animais silvestres ainda existentes na região, levaram o Governo do Estado de São Paulo a criar o Parque Estadual de Vassununga, no dia 26 de outubro de 1970, através do Decreto No 52.546. A categoria de Parque foi dada devido a biodiversidade, as belezas cênicas, a importância histórico cultural, a localização e o potencial turístico”.
“O estado criou essa unidade de conservação com a motivação maior de se preservar as maiores e mais belas florestas de jequitibás-rosa ainda existentes no estado de São Paulo e também vegetação representativa da nossa região”, diz Heverton José Ribeiro, gestor do parque.
Há, porém, explicações menos nobres sobre a origem do parque. Disso sempre dão conta os historiadores. Roger Domenech Colacios, em artigo publicado na Revista Angelus Novus sobre o trabalho do historiador Carlos Alberto Menarin, cujo titulo é “À Sombra dos Jequitibás: o Parque Estadual de Vassununga entre os interesses públicos e privados (1969-2005)”, destacou que
“Longe das preocupações ambientalistas o Parque de Vassununga, como afirma Menarin, foi o resultado dos interesses dos fazendeiros da região e do Estado de São Paulo. Os primeiros estavam interessados em lucrar com um espaço que já não conseguia produzir como em períodos anteriores, que gerou a desvalorização das terras e a perda de capital de seus proprietários. E o segundo procurava se inserir na legislação federal, tentando garantir a preservação de uma das poucas áreas de cerrado que ainda existem na região”.
Quem quiser saber mais sobre esse assunto pode ler o artigo na íntegra, clicando
http://www.usp.br/ran/ojs/index.php/angelusnovus/article/download/194/149
Alojamentos, áreas de camping, opções para alimentação…
FUNDAÇÃO FLORESTAL
http://www.ambiente.sp.gov.br/parque-vassununga/
MUNICÍPIO DE SANTA RITA DO PASSA QUATRO
http://www.santaritadopassaquatro.tur.br/parque-do-vassununga-2/
REVISTA ANGELUS NOVUS – no 4 – dezembro de 2012 “MENARIN, Carlos Alberto. À Sombra dos Jequitibás: o Parque Estadual de Vassununga entre os interesses públicos e privados (1969-2005). São Paulo: Annablume; Fapesp, 2011”, de Roger Domenech Colacios
http://www.usp.br/ran/ojs/index.php/angelusnovus/article/download/194/149
EFECADE
http://www.efecade.com.br/parque-estadual-vassununga-santa-rita-do-passa-quatro-sao-paulo/
G1
PROPOSTA DE INTERLIGAÇÃO DAS GLEBAS DO PARQUE ESTADUAL DE VASSUNUNGA Vãnia Korman
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/91/91131/tde-24062005-103324/publico/VaniaKorman.pdf
A PASSARINHÓLOGA
http://apassarinhologa.com.br/passarinhando-parque-estadual-vassununga/